domingo, 28 de junho de 2009

A incompaixão humana

No conto que eu postei abaixo, Uma vela para Dario, podemos identificar o quanto nós, seres humanos podemos ser impiedosos, insensíveis, indiferentes perante uma situação tão grotesca como a de Dario. Aquele homem que provavelmente teve um ataque de coração esperava pela solidariedade de pessoas que lhe custou a vida. Ao passar mal alguns passantes ficaram-no observando e aos poucos multidões foram chegando para assistir a morte de um homem o qual ninguém sabia quem era, mas homem o qual nenhum daqueles que ali estavam teve coragem de ajudar, enquanto Dario agonizava, alguns roubavam os pertences pessoais dele, outros paravam o que faziam para assistir de camarote o acontecimento sem mover uma palha sequer para ao menos amenizar a dor do pobre homem. Quando o grupo de pessoas finalmente decidiu fazer alguma coisa o levaram até um táxi para irem até o hospital, fato que não foi consumado quando o taxista perguntou quem iria pagar a corrida e ninguém se prestou ao favor, outro alguém informou da farmácia na outra esquina, mas não carregaram Dario porque ele era muito pesado e a farmácia ficava no final do quarteirão, sendo assim, o homem acabara por falecer. Da multidão que presenciou aquilo pouquíssimas pessoas realmente se preocuparam com Dario, é muito triste reconhecer que apesar disso ser um conto não muito difícil de se deparar com isso na nossa realidade, agora imaginem se ao invés de Dario fossem vocês.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

O adeus a Michael Jackson


Ontem, quinta- feira (25) o mundo perdeu o seu maior astro pop de todos os tempos, Michael Jackson, aos 50 anos, morreu após sofrer uma parada cardíaca em casa, foi levado de ambulância ao hospital em Los Angeles mas os médicos declaram-o como morto após sua chegada em coma profundo no hospital.
A vida do cantor foi repleta de altos e baixos, grandes sucessos, grandes barracos.
O "Rei do Pop" começou sua carreira ainda menino, com o grupo Jackson 5. Ao lado de seus irmãos, o garoto de apenas cinco anos conquistou o mundo nas décadas de 1960 e 1970.
Esta fase foi marcada por sucesso, mas também por polêmicas. Anos mais tarde, Joe Jackson, pai de Michael, confessou que bateu muito nos filhos. Isso explicaria as diversas manias que se seguiram na vida do cantor.
Depois do Jackson 5, ele se lançou em carreira solo e se tornou um dos maiores mitos do showbizz.
Com o passar o tempo, Michael foi mostrando um lado desconhecido do público. Tudo começou quando ele, que é afrodescendente, foi modificando a aparência. À princípio, as mudanças se concentraram em plásticas no nariz.
Depois, a pele negra do ídolo foi clareando até se tornar branca. Na época, o cantor alegou ser vítima de vitiligo - uma doença que, basicamente, se caracteriza pelo aparecimento de manchas brancas na pele.
Denúncias de casos de pedofilia abalaram a vida e a carreira do artista. A gota d'água foi o documentário britânico "Living With Michael Jackson". Na reportagem, o astro foi filmado afirmando que crianças dormiam em sua cama, mas que nunca havia abusado delas.
Em uma das acusações, Michael acabou preso, porém foi absolvido em 2005.
Gastos astronômicos como compras de obras de artes, intervenções cirúrgicas, viagens e casas caras dilapidaram o patrimônio do artista. Nessa bola de neve, Michael quase perdeu a própria casa, o Rancho Neverland.
Trapalhadas como afirmar que é o Peter Pan e balançar o filho ainda bebê numa sacada também mancharam a imagem do músico.
Confusões sobre quebras de contrato marcaram os últimos dias do astro. Processos foram abertos em países como Estados Unidos e Dubai.
Michael voltaria aos palcos em 13 de julho na O2 Arena, em Londres. Ao todo, ele faria 50 apresentações na capital britânica.


FONTE:

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Uma vela para Dario - Dalton Trevisan (Parte II)


Ocupado o café próximo pelas pessoas que vieram apreciar o incidente e, agora, comendo e bebendo, gozavam as delicias da noite. Dario ficou torto como o deixaram, no degrau da peixaria, sem o relógio de pulso.

Um terceiro sugeriu que lhe examinassem os papéis, retirados - com vários objetos - de seus bolsos e alinhados sobre a camisa branca. Ficaram sabendo do nome, idade; sinal de nascença. O endereço na carteira era de outra cidade.

Registrou-se correria de mais de duzentos curiosos que, a essa hora, ocupavam toda a rua e as calçadas: era a polícia. O carro negro investiu a multidão. Várias pessoas tropeçaram no corpo de Dario, que foi pisoteado dezessete vezes.

O guarda aproximou-se do cadáver e não pôde identificá-lo — os bolsos vazios. Restava a aliança de ouro na mão esquerda, que ele próprio quando vivo - só podia destacar umedecida com sabonete. Ficou decidido que o caso era com o rabecão.

A última boca repetiu — Ele morreu, ele morreu. A gente começou a se dispersar. Dario levara duas horas para morrer, ninguém acreditou que estivesse no fim. Agora, aos que podiam vê-lo, tinha todo o ar de um defunto.

Um senhor piedoso despiu o paletó de Dario para lhe sustentar a cabeça. Cruzou as suas mãos no peito. Não pôde fechar os olhos nem a boca, onde a espuma tinha desaparecido. Apenas um homem morto e a multidão se espalhou, as mesas do café ficaram vazias. Na janela alguns moradores com almofadas para descansar os cotovelos.

Um menino de cor e descalço veio com uma vela, que acendeu ao lado do cadáver. Parecia morto há muitos anos, quase o retrato de um morto desbotado pela chuva.

Fecharam-se uma a uma as janelas e, três horas depois, lá estava Dario à espera do rabecão. A cabeça agora na pedra, sem o paletó, e o dedo sem a aliança. A vela tinha queimado até a metade e apagou-se às primeiras gotas da chuva, que voltava a cair.



FIM

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Uma vela para Dario - Dalton Trevisan (Parte I)

Dario vinha apressado, guarda-chuva no braço esquerdo e, assim que dobrou a esquina, diminuiu o passo até parar, encostando-se à parede de uma casa. Por ela escorregando, sentou-se na calçada, ainda úmida de chuva, e descansou na pedra o cachimbo.

Dois ou três passantes rodearam-no e indagaram se não se sentia bem. Dario abriu a boca, moveu os lábios, não se ouviu resposta. O senhor gordo, de branco, sugeriu que devia sofrer de ataque.

Ele reclinou-se mais um pouco, estendido agora na calçada, e o cachimbo tinha apagado. O rapaz de bigode pediu aos outros que se afastassem e o deixassem respirar. Abriu-lhe o paletó, o colarinho, a gravata e a cinta. Quando lhe retiraram os sapatos, Dario roncou feio e bolhas de espuma surgiram no canto da boca.

Cada pessoa que chegava erguia-se na ponta dos pés, embora não o pudesse ver. Os moradores da rua conversavam de uma porta à outra, as crianças foram despertadas e de pijama acudiram à janela. O senhor gordo repetia que Dario sentara-se na calçada, soprando ainda a fumaça do cachimbo e encostando o guarda-chuva na parede. Mas não se via guarda-chuva ou cachimbo ao seu lado.

A velhinha de cabeça grisalha gritou que ele estava morrendo. Um grupo o arrastou para o táxi da esquina. Já no carro a metade do corpo, protestou o motorista: quem pagaria a corrida? Concordaram chamar a ambulância. Dario conduzido de volta e recostado á parede - não tinha os sapatos nem o alfinete de pérola na gravata.

Alguém informou da farmácia na outra rua. Não carregaram Dario além da esquina; a farmácia no fim do quarteirão e, além do mais, muito pesado. Foi largado na porta de uma peixaria. Enxame de moscas lhe cobriu o rosto, sem que fizesse um gesto para espantá-las.
CONTINUA...